Segurança Privada registra forte demanda em 2011 e grandes desafios para 2012

A Segurança Privada foi ao longo de 2011, uma das atividades de maior crescimento da economia brasileira. Apesar da desaceleração registrada em alguns setores, como o automobilístico, que apontou declínio no numero de vendas de veículos zero quilometro, e da influência negativa oriunda da crise Americana e principalmente da crise Europeia, a economia brasileira se manteve sólida e em desenvolvimento.

 

Entre os inúmeros fatores que contribuíram para o cenário econômico favorável que o país vivência, podemos destacar a maciça abertura de novos postos de trabalho, uma política mais justa e equilibrada de distribuição de renda, o incremento do turismo, interno e externo e o forte interesse estrangeiro, expressado através de investimentos constantes e significativos.

 

Ao longo de 2011, o Mercado de Segurança testemunhou ações criminosas que atingiram vários segmentos da sociedade, de assaltos e explosões a caixas eletrônicos, arrastões a bares, restaurantes e shoppings, assaltos a bancos até aos arrastões em condomínios residenciais.

 

Os criminosos agem de forma cíclica. Atuam em determinado tipo de crime até o momento em que a reação das Forças Policiais e o investimento em segurança privada eleva tanto o risco da ação, que os criminosos procuram outro tipo de alvo.

 

Ponto comum a todas as ações criminosas é a sofisticação das técnicas utilizadas. Os bandidos estão cada vez mais criativos e preparados, até mesmo com formação acadêmica superior, que gerou preocupação e investimentos por parte da sociedade. Esse cenário de violência, sem dúvida nenhuma, foi um dos fatores que estimularam o crescimento do Mercado de Segurança Privada, e que elevaram a demanda por serviços de mão de obra terceirizados e produtos de segurança eletrônica.

 

Outro ponto relevante para o Mercado de Segurança Privada em 2011 foi, e ainda será ao longo dos próximos anos, o incremento do turismo. Muito se fala na Copa do Mundo (2014) e nos Jogos Olímpicos (2016), mas existem outros eventos de grande importância como a Copa das Confederações (2013), Copa América (2015) e a Conferência de Sustentabilidade das Nações Unidas Rio+20 (2012), além do crescimento natural do turismo em função da estabilidade e do desenvolvimento econômico.

 

Para atender a toda essa demanda, o Mercado de Segurança Privada terá de superar grandes desafios. Um dos principais será a contratação dos vigilantes que atuarão no mercado nos próximos anos, uma vez que hoje já enfrentamos um Apagão de Mão de Obra.

 

A capacitação desses profissionais será ainda mais complexa. Além dos requisitos básicos que a Legislação requer e do curso de formação exigido pela Polícia Federal, os vigilantes terão que desenvolver novas capacidades, como falar uma segunda língua, preferencialmente o inglês, além de aperfeiçoar outras habilidades, como o atendimento ao público e o raciocínio lógico.

 

As questões legais também serão um grande desafio em 2012. Ainda não está claro qual será a abrangência e a participação da Segurança Privada nos Jogos. Será permitida apenas a atuação intramuros conforme a legislação vigente, ou ser feita uma concessão para auxiliar as Forças Policiais junto às praças esportivas?

 

Essa, e outras reinvindicações de todo o Mercado de Segurança Privada, estão sendo discutidas junto ao Ministério da Justiça, através da elaboração do Estatuto da Segurança Privada. O Anteprojeto, que foi apresentado ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, em reunião no dia 31 de Agosto em Brasília, busca modernizar a legislação do Mercado, elevar a qualificação profissional mínima dos vigilantes, aumentar a carga horária dos cursos de formação, debater o escopo e as atividades das empresas especializadas, tipificar como crime federal a prestação de serviço clandestino e irregular e alterar a solidariedade dos contratantes de subsidiária para solidária, entre outros pontos.

 

A demanda pelos serviços de mão de obra terceirizada e por produtos de segurança eletrônica continuará em alta durante o ano de 2012. Caberá aos participantes do mercado, a melhor preparação possível, adotando medidas proativas, criativas e inovadoras para a superação dos obstáculos já identificados, e principalmente, para atender a crescente demanda conciliada à elevação dos níveis de expectativa e qualidade.

Gabriel Ribeiro Tinoco

DSE, ASE, CES é Diretor Financeiro e Comercial do Grupo Muralha. Administrador de Empresas pela PUC-SP. Pós-graduado em Planejamento e Controle Empresarial pela FAAP-SP. MBA em Direção de Segurança Empresarial pela Universidade Comillas de Madrid – Espanha. MBA em Gestão Estratégica de Segurança pela Universidade Anhembi-Morumbi. Master em PNL. Certificado de Especialista em Segurança pela ABSO. Certificado de Analista de Segurança Empresarial pela ABSEG. Diretor de Segurança Privada da ABSEG. Presidente da ASIS Chapter 214 – São Paulo – Brasil. Colunista de jornais e revistas.