Qual a atual visão do contratante sobre o trabalho das empresas que atuam no Mercado de Segurança?

Já há algum tempo, estabeleci como uma atividade fundamental na minha agenda, uma rotina de visitas comerciais a clientes e também a prospects do mercado de Segurança Privada. Descobri que as informações coletadas na “rua”, diretamente por mim, são diferentes dos feedbacks que recebo, em maior ou menor grau. Isso acontece porque cada um de nós carrega dentro de si uma série de experiências que alteram a interpretação dos dados, como filtros, focando mais para uma determinada informação e bloqueando outras. Também existem problemas de comunicação, que chamamos de ruídos. Muitas vezes, esses ruídos distorcem o significado da mensagem entre o interlocutor e o seu receptor, fazendo com que a mensagem recebida seja diferente da enviada.

 

 Nesses últimos meses, em visita a alguns prospects, tive a oportunidade de falar um pouco sobre o mercado de Segurança Privada, e principalmente, de ouvir como está a percepção em relação ao nosso segmento. Nessa troca de experiências, identifiquei em alguns poucos contratantes, um padrão de comportamento equivocado e uma imagem errônea do mercado de Segurança Privada, que até então eram desconhecidos para mim.

 

Esses contratantes externaram que furtos e assaltos, às suas empresas e/ou estabelecimentos, são inevitáveis e o que o grande papel da Segurança Privada seria o de auxiliar as suas organizações após a ocorrência consumada, atuando no atendimento e apoio burocrático às vítimas, como relações públicas com as autoridades policiais competentes e finalmente no processo de investigação.  Percebi também que os contratantes que apresentaram esse comportamento, carregam fortemente dentro de si essa afirmação, quase como um paradigma.

 

Sabemos que não existe sistema de segurança 100% infalível, haja vista a especialização das quadrilhas, seu crescente nível de escolaridade e sua capacidade criativa, mas a grande verdade é que o foco da Segurança Privada está na prevenção, exatamente o oposto do que acreditam esses contratantes.

 

Atuar preventivamente é atuar de forma pró-ativa, criando um sistema integrado de segurança, com equipes de vigilância, equipamentos de segurança eletrônica e a adoção de normas e procedimentos, estabelecendo barreiras de proteção para impedir e/ou dificultar ao máximo uma tentativa de furto ou assalto, fazendo muitas vezes com que os criminosos se sintam desestimulados, desistindo da operação e elegendo outro alvo com menor nível de proteção.

 

Para atuar de maneira correta, as empresas de Segurança Privada precisam desenvolver uma sólida estrutura operacional, que possibilite a análise dos fatores de risco de seus clientes e a sua constante adequação. Outro ponto fundamental é estruturar um programa periódico de treinamento, não somente da equipe de vigilância que atua diretamente no cliente, mas também dos líderes e supervisores. Toda essa estrutura, de atuação preventiva, requer além de um investimento financeiro considerável, um enorme e ininterrupto esforço operacional.

 

Os contratantes que apresentam esse comportamento, que acreditam nesse paradigma de que o mais importante é o apoio disponibilizado depois de concretizada a ocorrência, foram em algum momento no passado, induzidos a crer que essa era maneira correta de atuação da Segurança Privada, provavelmente porque estavam contratando serviços de empresas sem a estrutura mínima necessária para desenvolver corretamente um sistema integrado de segurança ou porque não tinham interesse ou recursos para investir no mercado, afinal, é muito mais complexo e oneroso trabalhar de forma preventiva.

 

Esses contratantes assumem uma postura arriscada em relação a segurança dos seus estabelecimentos, e principalmente, em relação à vida das pessoas que o frequentam. Se o resultado dessa ação criminosa for “somente” um furto ou roubo, é razoavelmente possível administrar as suas consequências, entretanto se houver uma ação mais agressiva e violenta, onde vidas foram perdidas, ou onde a imagem da empresa ficou comprometida perante a imprensa, público e acionistas, dificilmente será possível conter os prejuízos, que na certa, ultrapassarão em muito, medidas preventivas que poderiam ter sido adotadas antecipadamente.

 

Em situações onde esses poucos contratantes ainda acreditam nesse paradigma, somente através de uma sólida argumentação sobre as atividades de segurança e sobre as suas possibilidades de atuação, é que será possível conscientizá-los que o mercado de Segurança Privada é muito mais amplo, abrangente e eficiente, e que seus profissionais estão totalmente capacitados a desenvolver sistemas integrados de segurança que atuem preventivamente.

Gabriel Ribeiro Tinoco

DSE, ASE, CES é Diretor Financeiro e Comercial do Grupo Muralha. Administrador de Empresas pela PUC-SP. Pós-graduado em Planejamento e Controle Empresarial pela FAAP-SP. MBA em Direção de Segurança Empresarial pela Universidade Comillas de Madrid – Espanha. MBA em Gestão Estratégica de Segurança pela Universidade Anhembi-Morumbi. Master em PNL. Certificado de Especialista em Segurança pela ABSO. Certificado de Analista de Segurança Empresarial pela ABSEG. Diretor de Segurança Privada da ABSEG. Presidente da ASIS Chapter 214 – São Paulo – Brasil. Colunista de jornais e revistas.